EDITORA BIRUTA - Desde 2000

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Editora Biruta, Desde 2000

OUTRAS SUGESTÕES

E as demais sugestões, abertas a quaisquer interessados, foram pensadas basicamente para alunos do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo FESP que se encontram no sétimo período.


MAIS LIVROS

A TERCEIRA ONDA

Por Samuel Huntington

É desnecessário afirmar que o cientista político norte-americano, Samuel Huntington, já falecido, não colecionou muitos amigos no Brasil entre os setores liberais, democráticos e da esquerda. Foi tido como um político conservador (talvez injustamente), mas, certamente, esteve próximo à ditadura militar brasileira para quem prestou serviços intelectuais como consultor. Seja qual for a opinião que se tem a respeito de suas posições, a leitura de sua obra é importante, pois é resultado de amplas investigações como também de rica reflexão intelectual. É o caso de seu livro A Terceira Onda , que Processo & Decisão recomenda ao público, embora o mesmo já tenha sido traduzido e publicado para o português há muito tempo (1994) pela Editora Ática. Neste livro ele analisa os processos de democratização em curso em vários países do mundo a partir da década de 1980. Como o regime democrático tem encontrado quase sempre forças que o desacreditam entre alguns espectros das ideologias políticas, sua leitura é sempre atual.


LIVROS

Nesse espaço de Processo & Decisão (P&D) você encontrará sugestão de livros relacionados às áreas de História, Marketing, Política, Relações Internacionais, Opinião Pública, e demais temas correlatos. Estamos convencidos de que nossas indicações se baseiam em avaliações interessantes e rigorosas e torcemos para que você tenha uma boa leitura e enriquecimento em sua trajetória profissional caso acate algumas delas.

Brasil: uma Biografia, de Lilia M Schwarcz e Sandra Starling

O livro Brasil: uma Biografia, da dupla Lilia Moritz Schwarcz e de Sandra M Starling, é uma competente organização da vasta bibliografia historiográfica do Brasil na qual desfilam obras produzidas por historiadores, antrópologos, sociólogos, cientistas políticos, economistas e outros. A qualidade do livro da dupla vai além, pois conta com uma prosa agradável e inteligente e, ainda, outros trabalhos das próprias autoras que são grandes pesquisadoras e fazem parte de uma geração formada universitariamente durante a transição do regime autoritário para o democrático, fato este que influenciou muito na qualidade e quantidade de pesquisas e publicações que foram produzidas a partir de então. Trata-se de obra que pode e deve ser incluída nos planos de ensino dos diferentes cursos das áreas das ciências sociais e humans.


...Bem diferente do Brasil e de tantos outros

UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS

Claudia Wallim

Esta jornalista brasileira radicada na Suécia, casada com um sueco e tendo filhos suecos, traz um tema de grande interesse e atualidade para a cena política, econômica e social brasileira, ao abordar aspectos da história e da vida política, e social deste país escandinavo. Faz isso com grande competência entremeando relatos próprios, bem como entrevistas com diferentes autoridades do país. Fica muito claro em seu texto o altíssimo padrão de vida da população, mas também o quanto sua obtenção depende de um compromisso geral, o que só é possível pela combinação de alta carga tributária para quase todos com absoluta transparência e fiscalização em todas as ações dos agentes públicos envolvendo desde a realeza e o primeiro-ministro até o mais comum dos cidadãos. Por outro lado, a Suécia vem enfrentando um desafio para assegurar a manutenção desta qualidade de vida, que é o grande fluxo migratório proveniente de países pobres, especialmente da África, gerando conflitos sociais já são bem conhecidos nos paises europeus do extremo sul. Mas o que toca efetivamente nesta leitura é constatar a grande simplicidade com que vivem os políticos suecos, ou melhor com que vivem praticamente todos os suecos. Que isso sirva de lição ao Brasil, aproveitando este triste momento da história política brasileira, mas ao mesmo tempo tão importante.


O Capital no século XXI, de Thomas Piketty

O CAPITAL NO SÉCULO XXI

Thomas Piketty

O Capital no século XXI, obra do pesquisador e professor de economia francês Thomas Piketty, tornou-se, aparentemente, obra rapidamente difundida em diversas partes do mundo, além de sua terra natal, a França, como nos EUA e, também, no Brasil, tendo sido traduzida para diversos idiomas. Originalmente o livro foi publicado em 2013, e a tradução e publicação para o português se deu pela editora Intrínseca sob a responsabilidade da jovem economista e professora Mônica Baumgarten de Bolle. Quem leu terá de reconhecer que o autor procedeu a relevante pesquisa para dar sustentação a sua abordagem, independemente da opinião que eventualmente tenha sobre suas recomendações. Ao longo do livro, dividido em quatro partes e a conclusão em um total de 669 páginas, Piketty procura mostrar a elevada concentração da renda nos países da economia central ao longo dos últimos quase três séculos, apesar de reconhcer desconcentrações relevantes em certos períodos. Ele argumenta que uma das razões para a persistência da desigualdade está no direito de herança e na quarta parte faz a defesa de um imposto progressivo para a construção de um "Estado Social" para o século XXI. Contudo, muito do apoio a argumentação do autor está embasado em um terreno complexo que é o da política em suas diferentes dimensões, tais como a nacional, de blocos, e internacional, sobre a qual ele parece persisitr em uma visão (quase) determinista de que as condições econômicas e da distribuição da riqueza causam os fenômenos políticos. No entanto, seja o que se possa fazer de ressalva a este livro, é inegável que se trata de um trabalho de muito fôlego, apoiado em muitas estatísticas, além de se constituir em um texto de leitura prazerosa.


Biografia de José Dirceu

DIRCEU

Otávio Cabral

A biografia do político e fundador do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu, escrita pelo jornalista Otávio Cabral, merce ser lida. Talvez o mérito da obra esteja menos em alguma informação inédita mas sim em como os fatos de sua vida (os pessoais e os políticos), encontram-se bem arrolados. O senão à obra fica por conta de certas afirmações que assumem ares de verdade, mas se tratam de interpretações do autor, conquanto muito generalizadas em certos segmentos da opinião pública. Ademais, o texto de Cabral é fluido e atraente sem resvalar para o sensacionalismo. A sensação fica para as próprias informações a respeito da vida do biografado. No que diz respeito à personalidade de Dirceu, independentemente do juízo que o leitor tenha a seu respeito, reforça-se a ideia de uma pessoa que teve dificuldade de separar a coisa pública da coisa privada, pessoal, tão comum a tantos políticos no Brasil e em outros países. Mais, como seus ideiais pareciam tão fortes e desalinhados para uma pessoa que se deixava facilmente ser atraído por uma conquista feminina, conquanto facilmente manipulável por estas.


23 COISAS QUE NÃO NOS CONTARAM

SOBRE O CAPITALISMO

Ha-Joon Chang

23 Coisas que não nos contaram..

Sendo ou não anticapitalista, qualquer leitor interessado em compreender a economia internacional e o desenvolvimento das sociedades precisa ler este livro. Tal recomendação vale mesmo se você suspeitar (e estará certo) que 23 coisas quer dizer 23 capítulos. E é isso mesmo; cada “coisa” é um capítulo. No entanto, o autor é muito instigante e tem argumentos fortes em sua crítica às sociedades de livre mercado, conquanto ele próprio faça questão de afirmar no início de seu livro, que este “não é um manifesto anticapitalista”, destacando em seguida que “Criticar a ideologia do livre mercado não é o mesmo que ser contra o capitalismo. Apesar de seus problemas e limitações” diz o autor “o capitalismo ainda é o melhor sistema econômico já inventado pela humanidade”. A demonstração das teses do autor oscila entre momentos nos quais os argumentos são bem demonstrados com outros nos quais ele parece esperar que o leitor concorde a priori com a força do raciocínio, mesmo que este venha desacompanhado de dados que o corroborem. Vale a pena a leitura desta obra – bem traduzida para o português – que é escrita por um autor sul-coreano radicado na Grã-Bretanha e professor de Economia Política do Desenvolvimento na Universidade de Cambridge. Até bem pouco tempo atrás ele estava obtendo bom destaque da mídia internacional até o momento em que o francês Thomas Pikerti lançou sua obra (não traduzida ainda para o português), a qual se tornou a coqueluche dos “best-sellers” (ou quase) do campo da economia e das ciências sociais.

PENSADORES QUE INVENTARAM O BRASIL

Fernando Henrique Cardoso

Pensadores que inventaram o Brasil, de FHC

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ele próprio um pensador da realidade brasileira, dedica este livro publicado em 2013 pela Companhia das Letras a tratar dos pensadores nativos que procuraram interpretar o Brasil. Muitos dos que são objeto da análise de Cardoso já foram objeto de outras obras com objetivos semelhantes. A seleção feita pelo ex-presidente recaiu sobre Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Paulo Prado, Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Antonio Cândido, Florestan Fernandes, Celso Furtado e Raimundo Faoro. O professor Antonio Cândido, autor de Os Parceiros do Rio Bonito, é o único vivo desse grupo. Alguns deles foram sociólogos, economistas, e/ou historiadores. Como o próprio autor explica na apresentação da presente publicação, alguns são “ensaios” e outros “pequenos esboços” publicados há mais de três décadas. A leitura é muito prazerosa e oferece abordagens bem interessantes sobre estas figuras. Finalmente, conta com um posfácio do historiador e pensador José Murilo de Carvalho.


DICIONÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Geraldo Di Giovanni e Marco Aurélio Nogueira (Organizadores)

Dicionário de Políticas Públicas

A Fundação para o Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP), autarquia do Governo do Estado de São Paulo, há muito contribui para vários aspectos relacionados à melhoria do conhecimento e das práticas da administração pública estadual. Dessa vez inovou com a elaboração e publicação (sob a responsabilidade de impressão da Imprensa Oficial do Estado, o IMESP) de um Dicionário de Políticas Públicas, vindo em bom momento, para contribuir para a sedimentação de um vocabulário e conceitos fundamentais desta vasta área, que não raras vezes traz tantos sobressaltos para executivos públicos e demais servidores, e por que não admitir, para o mundo acadêmico também. Vários pesquisadores, docentes e executivos públicos, sob a coordenação de dois experientes especialistas dos assuntos públicos, Geraldo Di Giovanni e Marco Aurélio Nogueira, produziram quase 300 verbetes muito bem pensados e redigidos, os quais se encontram em dois volumes (A a L e de M a Z). Infelizmente, não há exemplares à venda. Toda a tiragem foi destinada aos órgãos públicos, universidades e bibliotecas públicas especializadas em geral. Seria oportuno que o IMESP considerasse a possibilidade de fazer nova tiragem em número suficiente para os interessados em adquirí-lo.

DIA D

A BATALHA PELA NORMANDIA

O Dia D, de Antony Beevor

Por Antony Beevor

A Editora Record publicou a tradução para a língua portuguêsa do escritor militar britânico, Antony Beevor, já faz alguns anos. E é mais do que tempo de fazer um balanço deste livro que tem vendido razoavelmente bem em vários países e também no Brasil. Afinal de contas, a história da Segunda Guerra Mundial continua a ter muito o que dizer em várias de suas dimensões, como a política, militar e econômica. A militar propriamente dita costuma atrair um público mais amplo, pois é mais eletrizante, ainda e quando seja um tema terrível em suas implicações humanas. Antony Beevor não descuida por completo dos aspectos políticos do conflito, mas mergulha fundo na questão militar desta operação que foi decisiva para a vitória dos aliados sobre a Alemanha Nazista. O ponto alto da obra do autor é conseguir uma massa enorme de informações e produzir uma narrativa que faz o leitor ter a possibilidade de acompanhar o desenrolar do desembarque na Normandia, pelos dois lados da Guerra e, especialmente, pelos personagens individuais fossem eles soldados rasos ou oficiais de alta patente. Não obstante esta qualidade, em muitos momentos a quantidade das informações narradas é tão grande que leva o leitor a se perguntar sobre a sua real utilidade para a compreensão em si mesmas e extensivamente para a estratégia sobre a fase final da guerra.

A NOVA CLASSE MÉDIA

Por Marcelo Neri

A Nova Classe Média, foto da capa

Publicado pela Editora Saraiva em 2011, o livro de Marcelo Neri, agora presidente do Instituto de Pesquisa e Econômica Aplicada (IPEA), órgão do governo federal subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), trata de um tema que se tornou coqueluche para a atual gestão por tratar dos efeitos da política econômica sobre os setores mais pobres da sociedade brasileira, um dos quais – a chamada classe C - ascendeu supostamente à condição de “Nova Classe Média”. O subtítulo escolhido “O Lado Brilhante da Pirâmide” dá bem a ideia da linha argumentativa do autor, pesquisador e professor da FGV-RJ, que há anos vem se dedicando ao estudo das questões sociais na condição de chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS) da referida instituição da qual está provisoriamente afastado pelo cargo público ora ocupado. O livro está dividido em sete capítulos, todos estes alinhavados ao lado de muitas tabelas e gráficos empregados para sustentar sua tese das mudanças ocorridas de 2003 a 2009, anos que coincidem com a quase integralidade dos dois mandatos do governo do ex-presidente Lula. O livro dá sustentação para o reconhecimento de uma mudança para melhor na vida de um importante segmento do povo brasileiro, mas talvez não seja tão fácil de convencer de que tal mudança tenha formado uma nova classe média. Vale a pena ler.

O SÉCULO DAS REVOLUÇÕES 1603-1714

Por Christopher Hill

Foto de capa do livro O Século das Revoluções

Pode-se fazer um ou outro reparo à tradução para o português feita por Alzira Vieira Allegro ao livro O Século das Revoluções, do grande historiador britânico, Christopher Hill, publicado originalmente em inglês em 1960 e pela última vez em 1979, mas no geral se constitui em uma tradução de alta qualidade. A edição em língua portuguesa é da Editora UNESP e faz justiça a uma instituição pública que tem procurado estar em dia com as obras seminais da historiografia e das ciências sociais em geral de autores estrangeiros. Não é a primeira obra de Hill vertida para o nosso idioma, mas é certamente a de maior importância para que as anteriores façam mais sentido para os leitores pouco familiarizados com a Revolução Inglesa de 1640 e seus desdobramentos no século em questão e suas consequências para a História Moderna em geral. O autor divide a obra em quatro partes ancoradas cronologiacamente, a saber: a primeira vai de 1603 a 1640 (período pré-revolucionário, sob o reinado de dois reis da dinastia Stuart), a segunda de 1640 a1660 (guerra civil, revolução, vitória de revolução, instauração da República, e morte do grande líder Oliver Cromwell e indicação de seu filho Richard para o cargo de Lord Protector). A terceira de 1660 a1688 (restauração da Monarquia até a Revolução Gloriosa), e a quarta vai de 1688 a 1714 com a consolidação dos ideais revolucionários, início de nova dinastia e definitiva redução do poder monárquico em benefício do Parlamento.

ENTRE PALAVRAS E NÚMEROS

Por Renato Sérgio de Lima e colaboradores

Otítulo principal deste livro publicado pela editora Alameda poderia remeter a diferentes temas nos mais diferentes campos do conhecimento, tanto científico quanto fora desta alçada. Porém, ao se deparar com o subtítulo "Violência Democracia e Segurança Pública no Brasil", o leitor não tem dúvida de que a obra se refere a uma matéria tão familiar e íntima para nós brasileiros, especialmente nas décadas que coincidem com a redemocratização do País. O prefácio é redigido por ninguém menos que o sociólogo Sérgio Adorno, coordenador do Núcelo e Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), uma das maiores autoridades acadêmicas na matéria e, também, um dos pioneiros no estudo do objeto pelo ângulo das ciências sociais no Brasil. Já na introdução do livro, o autor principal, Renato Sérgio de Lima, nos adverte sobre a quantidade de subtemas que vem sendo bem explorados na pesquisa acadêmica, tais como "modalidades de violência; perfis dos agressores e das vítimas; evolução do crime; características da organização social do crime e da violência; meios e modos empregados nas ações criminais; as relações entre medo, insegurança e violência; mídia e violência; violência e situação social/desigualdade social". É de tirar o fôlego, mas é o reflexo do quanto há para ser investigado em um assunto tão complexo ainda que a emoção gerada em vastas camadas da população seja bem simples de ser entendida: medo. Interessante de observar que a obra traz o reconhecimento de que o próprio aumento dos estudos vem se dando concomitantemente ao "esforço dos governos federal e estaduais em melhorar a qualidade das estatísticas oficiais, resultado não apenas das pressões da sociedade civil por mais e maior transparência nas ações praticadas pelas agências de lei e ordem, mas também pelas pressões da comunidade acadêmico-científica". O livro, publicado em 2011, encontra-se em um bom momento para ser lido por aqueles que perderam seu lançamento, uma vez que nos últimos meses os estados de São Paulo e Santa Catarina viveram episódios lamentáveis com assassinatos de policias fora do horário de serviço possivelmente a mando do PCC ou diretamente por seus agentes, e também de possíveis organizações policiais em ações extra-legais matando suspeitos na periferia.

PREFEITOS NA MIRA

Por Rui Tavares Maluf

Capa do Livro de Prefeitos na Mira

O livro de autoria de Rui Tavares Maluf, foi lançado pela Editora BIRUTA em novembro de 2001, sendo o resultado de levantamento, sistematização e análise das variáveis que incidiram sobre a cassação de pelo menos 44 prefeitos paulistas eleitos em 1996, em processos deflagrados e decididos no âmbito das câmaras municipais. O estudo desenvolvido sugere que o perfil tradicional do prefeito, historicamente muito identificado pelo fenômeno do Coronelismo, foi bastante alterado como resultado da Constituição Federal promulgada em 1988, denotando que o Poder Legislativo local passou a dispor efetivamente de grande poder de mando. Recentemente, o livro foi adquirido pela biblioteca do Congresso dos EUA e pela biblioteca da Universidade de Berkeley, também nos EUA, em setembro de 2004. Alunos e ex-alunos do autor podem adquirir um exemplar do livro na Editora obtendo até 40% de desconto, ao se identificarem, mediante informação do ano, da instituição na qual estudaram, e a disciplina que fizeram com o professor.

AS OPINIÕES SE MOVEM NAS SOMBRAS

Por Carlos Matheus

Gostaria de destacar nesse espaço um breve comentário a respeito do livro As Opiniões se Movem nas Sombras, de autoria do professor Carlos Matheus, publicado pela editora ATLAS em 2011. Antes de resenhar muito brevemente o livro, deixe-me relatar um pouco sobre o autor para quem ainda não o conhece. É professor da PUC-SP há pelo menos três décadas, professor de filosofia na referida instituição e pesquisador de opinião pública durante muitos anos. Na virada dos anos 70 para os anos 80, quando o Brasil passava pelo processo de redemocratização do seu sistema político, ele deteve a licença no País do famoso instituto Gallup e teve a oportunidade de realizar importantes levantamentos da opinião pública considerados os mais confiáveis à época. Sobre o referido livro, reconheço nesse uma obra de grande fôlego na qual ele revela um sólido conhecimento de filosofia da Antiguidade aos tempos atuais, o qual se presta muito bem ao seu propósito de refletir como a opinião percorre os tempos em diferentes situações históricas, e em diferentes situações de condições para a mesma se expressar. A utilização do termo Sombras para o título é muito apropriada haja visto que ele se propõe a revelar o quanto as opiniões podem ter dificuldade para vir à tona, mesmo quando há um ambiente de liberdade para as mesmas fluírem. O livro cai muito bem para todos aqueles que desejam uma boa leitura na área da Opinião Pública e ao mesmo tempo solidificar seu conhecimento sobre um assunto tão rico e apaixonante. Eu gostei muito do livro e o recomendo.

AMADORES, PASSAGEIROS E PROFISSIONAIS

Por Rui Tavares Maluf

Livro Amadores, Passageiros e Profissionais

O livro de Rui Tavares Maluf é construído a partir de sua tese de doutorado no departamento de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da USP em 2006, porém com um desenvolvimento mais conciso e atualizado. O tema dessa obra é a carreira política no Brasil analisada com o olhar voltado para a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) em um largo período no qual seis legislaturas foram eleitas de 1982 a 2004 e no desenrolar das quais muitas transformações ocorreram no sistema político brasileiro, como no subsistema paulistano, além de outras ainda maiores na sociedade brasileira. Observar as dificuldades, êxitos e fracassos das carreiras nesse cadinho de mudanças é instigante e desafiador, especialmente quando se busca identificar os possíveis elementos que são constantes. Cobrindo um período de mais de duas décadas, o risco de considerações equivocadas sobre a carreira fica bem reduzido. Como o título do livro sugere, há muitos que tentam ser políticos, mas não conseguem porque as urnas nãos lhes facilitam o caminho, enquanto outros fazem-na começando pela câmara ou dela se valendo quando tem dificuldade em outro nível da vida política, e os que no legislativo paulistano fazem-na por inteiro. O estudo da vida política municipal das metrópoles, especialmente de sua maior metrópole – São Paulo - ainda é área de concentração razoavelmente escassa na ciência política desenvolvida no Brasil, apesar do aumento verificado nos últimos anos no volume de trabalhos voltados para o subsistema político municipal brasileiro. Tavares Maluf, sem prejuízo de outras áreas de interesse intelectual na ciência política as quais alimentaram suas pesquisas nos últimos anos, já havia se dedicado à observar e entender certas tendências da carreira política e das instituições políticas paulistanas com sua dissertação de mestrado defendida na UNICAMP em 1993.


A LÓGICA DO CONSUMO

PorMartin Lindstrom

se vão quase três anos desde que o livro escrito por Martin Lindstrom (tido como um dos mais respeitados homens do marketing mundial) e publicado em inglês com o título Buyology foi traduzido para o português e colocado no mercado no Brasil pela editora Nova Fronteira. E pode-se dizer que vem fazendo bastante sucesso, não sem razão. Trata de nosso cérebro e mente e de como este reage aos apelos do marketing. Ou seja, é uma obra da área do neuromarketing, que vem ganhando terreno em nosso País, e redigida de forma bem estimulante a partir de uma ampla pesquisa do autor com mais de 2000 voluntários de vários países, dividida em várias etapas e com diferentes subgrupos, a qual trouxe à tona como “efetivamente” tomamos nossas decisões de consumo, ou ao menos de como nos inclinamos a toma-las. A leitura dessa obra pode interessar aos mais diversos campos, incluindo a o da política.


RELAÇÕES BRASIL-PARAGUAI: 1889-1954

Por Francisco Doratioto

O livro do historiador e cientista social Francisco Doratioto, publicado pela Fundação Alexandre Gusmão (FUNAG), é uma leitura obrigatória para todos os que se interessam pela política exterior do Brasil, da Argentina, como das relações internacionais na América do Sul. E mais ainda por se tratar de um período (1889-1954) no qual a literatura da história das relações internacionais do Brasil é rarefeita. Ora, o ano de início do livro de Doratioto é o da Proclamação da República no Brasil e o de seu final é o do suicídio do presidente Getúlio Vargas no Brasil e do início da longeva ditadura do general Alfredo Stroessner no Paraguai que só foi encerrada por outro golpe de estado desfechado em 1989, desta feita de caráter democrático. O autor vasculhou com lupa uma rica documentação oficial e diplomática dos dois países e da Argentina, país sem o qual o trabalho fatalmente apresentaria lacunas importantes, uma vez que o vizinho platino é fundamental na história comum dos dois países e exerceu forte influência na política paraguaia do período.

MUITO ALÉM DO NOSSO EU

Por Miguel Nicolelis

A obra do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis é acessível parcialmente ao público leigo interessado em ciência do cérebro desde que o mesmo procure dominar alguns conceitos. Na medida em que o leitor consegue avançar nas explicações técnicas, o trabalho torna-se fascinante uma vez que oferece um mergulho raramente visto na complexidade de nosso cérebro e mente e no que estes poderão vir a fazer em benefício da cura de várias deficiências físicas. O texto de Nicolelis foi escrito originalmente em inglês uma vez que o cientista trabalha na Universidade de Duke, nos EUA. Entremado às questões científicas, Nicolelis faz um apanhado autobiográfico bem rico e, em certos pontos, divertido.

SALAZAR

Por Filipe Ribeiro de Menezes

A biografia de Salazar escrita pelo historiador português Felipe Ribeiro de Meneses é uma obra de grande envergadura e, possivelmente, a mais completa biografia publicada sobre o homem que governou Portugal ao longo de quatro décadas em momentos críticos da história do País e da Europa. O livro de Menezes cobre ampla quantidade de fontes documentais internas e externas, públicas e privadas envolvendo a figura de Antonio de Oliveira Salazar. É impressionante como este advogado e docente da Universidade de Coimbra conseguiu governar o pequeno país de forma ditatorial sendo o primeiro ministro (Presidente do Conselho de Ministros) e não o presidente da República, cargo que durante muito tempo foi ocupado por militares. Salazar representa um sopro de renovação na política portuguesa quando estreia no governo no cargo de Ministro das Finanças, passando anos depois para o de primeiro ministro. Na fase inicial ele revela como é possível administrar bem os parcos recursos tributados à sociedade, mas, por outro lado, os anos revelam o quanto a austeridade de sua gestão não signficou nada em termos de desenvolvimento para Portugal. Ainda que muitos fatos sobre o ditador já fossem conhecido, a riqueza das informações permite um julgamento mais seguro para os leitores que enfretarem a leitura de uma obra de mais de 700 páginas, mas seguramente prazeirosa.

DISSENSO DE WASHINGTON

Por Rubens Barbosa

Rubens Barbosa, diplomata de carreira aposentado e atual consultor, traz nesse livro sua experiência como embaixador do Brasil em Washington durante grande parte dos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e no primeiro ano do ex-presidente Lula. Mostra as diferenças de condução na política externa do Brasil em relação aos EUA e narra como atuou para promover o Brasil junto aos empresários norte-americanos, à sociedade e ao governo. O livro é de grande qualidade e precisa ser lido por todos aqueles que se importam com as relações exteriores do Brasil, em particular com o país mais poderoso do Planeta. São vários os assuntos relevantes, mas no campo das variedades ele descreve sua experiência de quem estava lá quando dos ataques terroristas de setembro de 2001

TAGs: Livros, Marketing, Política, Opinião Pública, Relações Internacionais, Democracia, Ciência, Processo & Decisão Consultoria, Rui Tavares Maluf


PARA OS ALUNOS DA FESP

OUTRAS SUGESTÕES DE LEITURA


Aproveito a oportunidade de conviver como professor dos alunos do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP) por mais um semestre para indicar-lhes mais bibliografia que poderá ser enriquecedora seja no desenvolvimento pessoal quanto no aproveitamento das aulas de Formação e Desenvolvimento Político no Brasil. Grande parte das indicações a seguir se constituem de obras dos autores que formam o pensamento político brasileiro, maioria destas publicadas na Coleção Brasiliana da Companhia Editora Nacional. Faço dois (2) esclarecimentos: 1) apesar de informar edição e ano de publicação (por mim utilizada, mas não necessariamente a única) isso não impede de se fazer uso de outras versões desde que sejam autênticas; e, 2) mantenho no título a grafia empregada à época da publicação das obras.