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BOLÍVIA


REAÇÃO POLÍTICA ÀS PRISÕES


Nesta quarta-feira, 17 de março de 2021, em Santa Cruz, no departamento de Santa Cruz, sob a liderança de ROMULO CALVO Bravo, dirigente do Comitê Cívico Pró Santa Cruz realizou-se reunião ao cabo da qual a entidade se posicionou em relação ao quadro político atual e à prisão da ex-presidente JEANINE AÑEZ Chávez (53), como de alguns de seus ex-ministros, policiais e militares que estiveram à frente dos eventos ora denunciados pelo Ministério Público (MP). O posicionamento se deu por meio da redação de um documento, o qual foi lido pelo dirigente acompanhado de vários integrantes do comitê e todos usando máscaras de proteção à pandemia. Seu conteúdo está vazado nos seguintes itens: (1) exige a liberação imediata de todos os presos políticos; (2) - não permitir mais prisões com finalidades políticas e ilegais; (3) - conceder anistia de forma igualitária a todas as autoridades, cívicos, militares, que lutaram pela Bolívia; (3) - O país ingressará em uma greve cívica geral se houver mais detenções características de um golpe de estado; (4) - apoio a todos os médicos que lutam contra a lei de Emergência Sanitária; (5) - denunciar aos organismos internacionais a grave violação e atropelo aos direitos humanos; e (5) - solicitar a Organização dos Estados Americanos (OEA) e demais organismos internacionais que se forme uma comissão internacional que investigue fatos de corrupção no governo e de gestões anteriores, bem como os desrespeitos aos direitos humanos. Ao terminar o texto e a leitura do mesmo o dirigente afirmou "não houve golpe, foi fraude". O ato se deu no dia seguinte a grandes manifestações públicas que ocorreram na terça-feira, 16 de março, dando a medida do que está por vir. Dentre os pontos lidos por Romulo Calvo encontra-se o repúdio à Lei 1.359 de 17 de fevereiro de 2021 chamada de Lei de Emergencia Sanitária. A provável razão para constar em meio a razão principal da convocação deste evento se deve a paralisação de grande parte dos profissionais de saúde, especialmente médicos, pelo que entendem ser uma norma de um estado de exceção e não democrático, aprovada pelo governo do governo do presidente LUIS Alberto ARCE Catacora (57) (MAS). "Por indiscutivelmente legítima tenha sido a vitória eleitoral do presidente Luis Arce, o país continua politicamente muito dividido, divisão esta que se dá em parte por questões étnicas, mas muito mais pela forma como as mesmas foram politizadas pelo ex-presidente Evo Morales e seu partido" afirma Rui Tavares Maluf (62), cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tavares Maluf acrescenta que outra clivagem muito importante se dá em termos geográficos uma vez que "o departamento de Santa Cruz e mais dois são muito mais desenvolvidos economicamente do que o resto do país e suas populações são muito mais urbanas e muito menos ligadas etnicamente aos nativos dos altiplanos". Mas há que se reconhecer, segundo o analista, que no referido departamente muitos setores economicamente poderosos expressam não raras vezes concepções preconceituosas.


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul; Bolívia; cientista político Rui Tavares; Departamento de Santa Cruz; Lei de Emergência Sanitária; Prisão da ex-presidente; Professor Rui da FESPSP; Protesto contra prisões; Romulo Calvo; Rui Tavares Maluf




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DETENÇÕES: POLÍTICA OU JUSTIÇA AINDA NÃO SE SABE


Na tarde de sexta-feira, 12 março de 2021, o Ministério Público da Bolívia determinou e prisão da ex-presidente JEANINE AÑEZ Chavez (53) e de ex-ministros de seu governo a fim de apurar terem participado de "suposto golpe de estado" contra o ex-presidente Juan EVO MORALES Ayma (61) (MAS) em novembro de 2019. A medida também se estendeu a ex-comandantes do Exército e da Polícia à época solicitaram publicamente ao então presidente Morales que renunciasse ao cargo. A ex-mandatária Añez foi detida em sua residência no departamento de Beni (Amazônia) e transportada por via área para La Paz onde chegou no amanhecer do sábado, 13 de março. Nas horas anteriores à sua detenção, com a polícia já cercando seu imóvel, ela se manifestou via twitter e outros meios afirmando que É a prática 'socialista', mentem sem ruborizar-se, reescrevem histórias para justificar abusos. Não foi golpe, foi sucessão constitucional devido a uma fraude eleitoral. Renunciaram quem não se atreveu a receber um país convulsionado já que o principal responsável FUJIU". Também ex-presidentes da República, como CARLOS Diego MESA Gisbert (67) (2003-2005) e JORGE 'TUTO' Fernando QUIROGA Ramirez(60) (2001-2002) criticaram a decisão, bem como ex-candidatos presidenciais e outras personalidades, alegando que efetivamente o que se passou foi a mobilização em prol do regime democrático. Os ex-ministros já detidos são ÁLVARO COIMBRA Justiça e RODRIGO GUZMAN Energia, os quais foram encontrados no departamento de Beni. As ordens de detenção ainda não efetuadas se deram contra os ex-ministros ARTURO MURILLO, Governo; FERNANDO LÓPEZ, Defesa e YERKO NUÑEZ Ministro da Presidência, sendo que os dois (2) primeiros se encontrariam fora da Bolívia. Todo o processo judicial teve início a partir da acusação feita pela ex-deputada LIDIA PATTY que os acusou de "sedição, terrorismo e conspiração" contra o ex-presidente. Mas do lado do partido da situação, o Moviamento ao Socialismo (MAS) a fala é de apoio às medidas como falou o presidente do Senado, senador ANDRÓNICO RODRIGUEZ afirmando que se trata de "Justiça". Acrescentou que os "hoje dizem ser vítimas de perseguição deveriam pensar mil vezes antes de romper a ordem constitucional de 2019". De acordo com Rui Tavares Maluf (62), cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) é importante recordar que a confirmação da então presidente Jeanine Añez no cargo foi feita pelo Tribunal Constitucional Plurinacional(TCP), responsável por exercer o respeito à Constituição Política e integrado por nove membros". Recordou ainda que em solidariedade a Morales o ex-vice-presidente também renunciou e o mesmo se passando com a então presidente do Senado. Coube, então, à vice-presidente assumir o cargo. "Simples assim". Tavares Maluf também destacou que a tensão política na Bolívia e a perda de confiança básica e necessária para o bom funcionamento do regime democrático teve sério revés quando em 21 de fevereiro de 2016, o então presidente Evo Morales "foi derrotado no referendo por ele convocado para buscar autorização constitucional para disputar mais um mandato, apesar de em um primeiro momento ter reconhecido os resultados adversos". Mais à frente Morales fez mudanças na cúpula da Justiça e conseguiu nova interpretação à constituição, simplesmente desconhecendo o que havia se passado. "E mais: o referendo tinha caráter vinculante".


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul; Bolívia; cientista político; Detenções; Ex-ministros de Estado; Ex-presidente da Bolívia Jeanine Añez; Prisões; professor da FESPSP; professor Rui da FESPSP; Rui Tavares Maluf; Suposto Golpe de Estado



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ELEIÇÕES DE 7 DE MARÇO SE REALIZARAM


Menos de cinco (5) meses depois de terem elegido o presidente da República, os eleitores bolivianos voltaram às urnas no domingo, 7 de março, a fim de eleger as autoridades municipais e departamentais do País. Tanto o processo de votação quanto o de apuração se revelaram lentos devido a mais de um problema organizacional, pois muitos funcionários faltaram ou se atrasaram para cumprir suas obrigações nas mesas.


PALAVRAS-CHAVES (TAGs) - Eleições de 7 de março de 2021; Eleições municipais e departamentais na Bolívia;


ARCE E CHOQUEHUANCA TOMAM POSSE


Domingo, 8 de novembro de 2020, LUIS Alberto ARCE Catacora (57) (MAS) tomou posse como novo presidente da Bolívia encerrando uma parte importante da crise política que se abateu sobre o país quando em 2019 o então presidente Juan EVO MORALES Ayma (61) (MAS) renunciou ao seu cargo depois de fortes denúncias de fraude envolvendo mais uma reeleição à presidência. A posse de Arce ocorreu 21 dias depois da eleição na qual venceu a seus adversários ainda em primeiro turno. Em seu discurso inaugural, Arce afirmou que neste "8 de novembro iniciamos uma nova etapa da nossa história e queremos fazê-lo com um governo para todos, sem discriminação; nosso governo buscará a todo momento reconstruir a pátria em unidade para viver em paz", palavras estas que reconhecem o conflito no qual o país estava imerso em grande medida pela insistência do antecessor desejar continuar à frente do governo, tendo desrespeitado o resultado de um plebiscito no qual a população rejeitou o direito de que ele se candidatasse mais uma vez. Todavia, outras palavras do novo chefe de estado indicam a responsabilização dos outros e não de Evo pelo que se passou. "A partir de 10 de novembro de 2019 e depois de 21 dias no qual se escamoteou a vontade popular expressa nas urnas que deram um vencedor, a Bolívia foi cenário de uma guerra interna (...) Senkata, Sacaba e o Pedregal são símbolo da dignidade e resistência junto aos homens como Orlando Gutierrez, dirigente mineiro que lutou pela recuperação da democracia e que sempre viverá no coração do povo", criticando ainda sua antecessora imediata, a presidente interina JEANINE AÑEZ Chávez (53). No mesmo evento, tomou posse como vice-presidente DAVID CHOQUEHUANCA Cespedes (59) (MAS), ex-ministro das Relações Exteriores durante larga parte dos mandatos de Evo Morales. Os 16 ministros que tomariam posse em sessão conjunta e solene nesta segunda-feira, 9 de novembro, com a presença do presidente e do vice-presidente, eram os seguintes:


NOME COMPLETO MINISTÉRIO
ROGELIO MAITA MAITA Relações Exteriores
MARIANA M TEJADA Ministra da Presidência
CARLOS EDUARDO CASTILLO DE Carpio Ministro de Governo
EDMUNDO NOBLINDO Aguillar Defesa
FELIMA GABRIELA MENDOZA Planificação e Desenvolvimento
MARCELO ALEXANDRE MONTENEGRO Garcia Economia e Finanças Públicas
FRANKLIN MOLINA Ortiz Ministro de Hidrocarburos
NESTOR HUANCACHURA Desenvolvimento Produtivo e Economia Plural
HECTOR MONTANO Rojas Obras Púlicas e Serviços de Habitação
RAMIRO VILLAVICENCIO DE Guzman Minas e Metalurgia
IVAN MANOLO LIMA Magne Justiça e Transparência Institucional
VERÔNICA PATRICIA NAVA Tejada Trabalho, Emprego e Previsão Social
EDGAR POZO Valdivia Saúde
JUAN SANTOS Cruz Meio Ambiente e Água
ADRIAN JUVEN Elcatarque Educação, Esportes e Culturas
WILSON CÁCERES Cardenas Desenvolvimento Rural e Terras

PALAVRAS-CHAVES - América do Sul, Bolívia, David Choquehuanca, Luis Arce, Ministério, Ministros, Posse do presidente da Bolívia, Posse do vice-presidente da Bolívia, Posse dos ministros



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ARCE: O HOMEM CERTO EM UMA HORA INCERTA


Nota atualizada em 26 de outubro de 2020 às 16hs35ms

Ou acompanhe o comentário em vídeo


No domingo, 18 de outubro de 2020, os eleitores bolivianos finalmente puderam escolher presidente, vice-presidente, senadores, deputados nacionais (proporcionais e majoritários), em meio à crise de pandemia, questionamentos de determinados setores da sociedade, mas em meio a razoável tranquilidade considerando tudo que o país viveu desde a crise política deflagrada com mais uma eleição do agora ex-presidente Juan EVO MORALES Ayma (61) (MAS), que levou à sua renúncia ao cargo. Até o momento em que esta nota era redigida, de acordo com a contagem rápida extra-oficial, mas reconhecida como de ampla credibilidade, o candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), LUIS Alberto ARCE Catacora (57), ex-ministro da Economia de Evo Morales, obteve ampla vitória e venceu já no primeiro turno. Os membros da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) reconheceram que a jornada foi pacífica de forma geral, bem como os resultados extra-oficiais apresentados até o momento e considerados irreversíveis. O eleitorado em condições de se manifestar nas urnas segundo a Oficina Plurinacional Eleitoral (OPE) foi de 7.332.926 cidadãos, aí incluídos os que vivem no exterior, tendo como opções oito (8) partidos políticos apresentando candidatos. Este eleitorado representa 63,03% da população do País estimada para o corrente ano pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que é de 11.633.671 pessoas (Quadro número 7). O novo presidente foi o grande responsável por gerir a economia boliviana com grande eficiência para os padrões de uma força de esquerda e ocupou o cargo durante a maioria do tempo em que Morales governou. A gestão de Arce contou com reconhecimento de vários governos não necessariamente identificados com os ideias do MAS. Embora há que se reconhecer que o principal candidato de oposição ao MAS, CARLOS Diego MESA Gisbert (67) (CC), ex-presidente da República, também seja um nome respeitável e caso vencesse poderia igualmente representar certo avanço para a Bolívia até pelo fato de ter diálogo fluído com todas as forças políticas, a continuação do MAS sem Evo Morales pode ser muito benéfica ao país porque expressa tanto o reconhecimento de que esta força política tem ampla força nacional, bem como coesão interna (o que falta à oposição) e sabe que não poderá fazer um governo nos moldes do antecessor se quiser pacificar o país e conseguir pontos de consenso com os setores mais esclarecidos das oposições. Segundo o cientista político Rui Tavares Maluf (61), "Arce é o homem certo na hora incerta, pois ao mesmo tempo que foi homem de confiança de Morales e é comprometido com ideias gerais do MAS, não faz nem um pouco o tipo populista e inclinado a desrespeitar as regras do jogo. E em um momento ainda com tantas incertezas em relação a grupos mais radicais, o perfil dele é mais adequado". Além disso, o professor da FESPSP acrescenta que há também o desafio para Arce de não permitir, ou dar a impressão, que Evo Morales "poderá ser o homem que manda por trás, mesmo estando exilado na Argentina".

Acompanhe a seguir os resultados oficiais e finais (sem revisão) de 26 de outubro divulgado em 26 de outubro de 2020 às 15hs12m49seg no horário local. Neste último boletim, fica cristalina a enorme superioridade da votação no novo presidente sobre o segundo colocado, o ex-presidente Carlos Mesa.


Resultados eleitorais parciais para presidente da República, em votos absolutos e percentuais
CANDIDATO PARTIDO VOTOS EM % % COMPARECIMENTO % ELEITORADO
Luis Arce MAS-IPSP 3.393.978 55,1 52,3 46,3
Carlos Mesa CC 1.775.943 28,8 27,4 24,2
Luis Fernando Camacho CREEMOS 862.184 14,0 13,3 11,8
Chi Hyung FPV 092.252 1,6 1,5 1,3
Feliciano Manani PAN-BOL 31.765 0,5 0,5 0,4
VOTOS VÁLIDOS 6.159.122 100 95,0 84,0
VOTOS BRANCOS 91.419 1,4 1,3
VOTOS NULOS 233.375 3,6 3,2
COMPARECIMENTO 6.483.916 100 88,4
ABSTENÇÃO 849.010 11,6
ELEITORADO 7.332.926 100

PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Bolívia, candidato Carlos Mesa, candidato Luis Fernando Camacho, cientista político, Eleição 2020, Eleição presidencial, INE, Instituto Nacional de Estatística, Luis Arce, Arce novo presidente da Bolívia, OPE, Órgão Plurinacional Eleitoral, Presidente Jean Añez, Resultados oficiais das eleições, Professor da FESPSP, Rui Tavares Maluf


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TENSÃO POLÍTICA AUMENTA


Nesta terça-feira à noite, 11 de agosto de 2020, a Assembleia da Crucenhidade, instância deliberativa do movimento político do Departamento de Santa Cruz conhecido como Comitê Pró Santa Cruz, em sessão virtual tomou decisões que aumentam a tensão política no país e geram dúvidas sobre a viabilidade das eleições programadas para 18 de outubro, mas que precisam do aprovação da Assembleia Legislativa Plurinacional (ALP), que é o Poder Legislativo da Bolívia. Tudo isso em meio a vários bloqueios nas estradas e vias de acesso a diferentes e importantes cidades, tornando muito difícil até mesmo para o fornecimento de material hospitalar. ROMULO CALVO Bravo presidente da entidade informou as seguintes medidas: 1) o comitê dará prazo de 48 horas para que o governo nacional desbloqueie as estradas ligando o departamento de Santa Cruz; 2) exigir a renúncia do presidente do Tribunal Superior Eleitoral SALVADOR ROMERO Ballivian (49); e 3) exigir a renúncia do procrurador-geral da Nação JUAN LANCHIPA Ponce (57); 4) renúncia dos deputados e senadores pertencentes ao Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Juan EVO MORALES Ayma (60). Suas palavras dirigidas à platéia, mas com a presença da imprensa foram as seguintes: "Damos um prazo de 48 horas para o governo desbloquear todas as vias crucenhas, caso contrário, a juventude organizada, plataformas, províncias, homens e mulheres que amamos a liberdade e democracia, vamos assumir a defesa do nosso território". O líder disse ainda que "O povo e seu comitê vamos assumir a responsabilidade para não permitir que jamais e o ressentimento e o racismo que disseminou o MAS junto aos bolivianos (...) venham e humilhem, façam vexames aos nossos cidadãos. Nunca mais". A justificativa para exigir a renúncia do presidente do TSE é que o mesmo estaria agindo de forma facciosa e a data das eleições não leva em conta a pandemia da covid-19 e o quanto isto favorece o MAS. Por outro lado, é importante registrar que até poucos dias atrás o próprio MAS não queria a realização das eleições na data agora fixada, exigindo que a mesma se desse na data original que seria setembro por entender que seu adiamento para outubro favoreceria as forças políticas que levaram à renúncia de Morales. A fala de Calvo acusando o MAS de racismo tem relativa veracidade. É fato que o governo de Evo, ao conseguir mudar a Constituição boliviana, bem como incentivar fortemente as populações nativas da Bolívia contra o significado da colonização, aumentou ressentimentos históricos de algumas das povos originários. Porém, não é menos verdade que parte da população descendente dos europeus teve forte conduta racista até os dias atuais combinada a enorme desigualdade social e ainda social e geográfica. Por sua vez, na manhã desta quarta-feira, 12 de agosto de 2020, em Cochabamba trabalhadores da Empresa Municipal de Serviço de Asseio(EMSA) invadiram "simbolicamente" a prefeitura municipal e exigiram a renúncia do novo gerente e a reincorporação do anterior. A ação foi reprimida por forças da polícia. Um dos assessores do chefe de governo local assegurou que haveria ainda hoje uma mesa de diálogo. De acordo com o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Rui Tavares Maluf (61), "a tensão política e social se espalhou por todo o país a despeito do enorme esforço feito tanto pelo TSE quanto pela presidente interina a fim de que as eleições se constituam em um elemento de solução do conflito. No entanto, o conflito atual é apenas o desdobramento de um muito mais profundo que atravessa a história da Bolívia e que foi maximizado a partir do momento em que o então presidente Evo Morales insistiu em obter mais um mandato presidencial, mesmo que tenha sido derrotado em um plebiscito convocado por ele próprio para saber se o eleitorado aceitaria uma mudança constitucional que lhe desse este direito". Para o cientista político Tavares Maluf, movimentos como o Comitê Pró Santa Cruz também cometem grave erro político ao tentar "criminalizar o conjunto dos políticos do MAS pois não se pode desconhecer que se trata de uma força política e social legítima, mesmo tendo tido atitudes muito reprováveis. Porém, há diferenças internas e que precisam ser reconhecidas".


Você também pode assistir no Youtube comentário da situação boliviana


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Assembleia da Crucenhidade, Bolívia, Comitê Pró Santa Cruz, MAS, Departamento de Cochabamba, Departamento de Santa Cruz, Movimento ao Socialismo, Reunião da Assembleia da Crucenhidade, Professor Rui T Maluf, Romulo Calvo, Rui Tavares Maluf, Tribunal Supremo Eleitoral, TSE


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ELEIÇÃO AMEAÇADA?


Com os acontecimentos do final de semana de 8 e 9 de outubro de 2020, faz bastante sentido se perguntar se a realização das eleição presidencial de 18 de outubro próximo está ameaçada. Desde que o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) SALVADOR ROMERO Ballivian (49) anunciou a data do próximo pleito, as tensões políticas aumentaram ao invés de se atenuarem. Inicialmente setores ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS) partido do ex-presidente Juan EVO MORALES Ayma (60) entenderam que a data os prejudicaria e a data deveria ser a inicial. Quando entendimentos começaram a ocorrer, os dirigentes da Central Operaria Boliviana (COB) declararam que não se manteriam no diálogo com o tribunal não avalizando o acordo, sem que os motivos tenham sido aclarados. Neste domingo, 9, havia uma proposta de reunião no Palácio do Governo formulada pela presidente interina JEANINE AÑEZ Chavez (53) na qual estariam convidados todos os candidatos presidenciais, além do presidente do TSE, representantes da igreja e de algumas outras organizações. Contudo, os cinco (5) principais candidatos não compareceram ao encontro, mesmo que no caso do MAS, o líder maior no exílio, ex-presidente Morales, declarou estar de acordo com a data de 18 de outubro e argumentou que as manifestações populares contrárias são contraproducentes aos próprios interesses do partido e podendo afetar o desempenho do candidato LUIS Alberto ARCE Catacora (56), ex-ministro da Economia do próprio Evo. Tudo isso ocorre em meio ao avanço dos efeitos da pandemia da COVID-19 e isto levou a comandantes das Forças Armadas e da Polícia a pedirem entendimento e diálogo entre todas as forças políticas porque o enfrentamento a crise sanitária está sendo muito dificultado pela própria crise política, pois várias vias importantes de circulação para transporte de equipamentos hospitalares estão bloqueadas. De forma mais enfática, o comandante das Forças Armadas, SERGIO Carlos ORELLANA destacou que os efeitos sociais e sanitários são desproporcionais a um grupo reduzido de mobilizados o qual não passa de um (1) por cento do país. Um dos maiores responsáveis pelos bloqueios na região de Santa Cruz e enfrentamentos é o candidato presidencial e um dos grandes responsáveis pela renúncia de Morales, LUIS FERNANDO CAMACHO, conquanto este tenha afirmado à imprensa que levantaria os bloqueios para ajudar as operações de transporte de oxigênio. Por sua parte, o vice-ministro da Segurança Cidadã, WILSON SANTAMARIA, declarou que o governo nacional vê com muita preocupação a atitude do candidato, ainda que governo e Camacho compartam o sentimento contra o MAS, pois não é com violência que se resolve os desentendimentos, mas sim com a "Lei nas mãos".


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Bolívia, conflitos entre forças políticas, eleição ameaçada, eleição de 18 de outubro de 2020, presidente interina, presidente Jeanine Añez, Tribunal Supremo Electoral, TSE



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TRIBUNAL FIXA NOVA DATA PARA ELEIÇÕES


Nesta quinta-feira, 23 de julho de 2020, o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), SALVADOR ROMERO Ballivian (49), fixou a nova data para a realização das eleições presidenciais da Bolívia. O primeiro turno será realizado no dia 18 de outubro e caso seja necessário o segundo turno a data será 29 de novembro, e a posse das novas autoridades em dezembro. No documento oficial pelo qual a decisão foi divulgada, o presidente afirma que "Esta eleição requer, por suposto, as maiores medidas de segurança sanitária possíveis para proteger a saúde dos bolivianos. O conjunto de ações que adotaremos foi analisado em múltiplas reuniões e aprovado pelo comitê científico asessor do TSE integrado por analistas e especialistas da Organização Panamericana de Saúde. Este aval só se consegue com protocolos adequados. Desde a chegada da pandemia, o cuidado com a saúde da população se converteu em uma prioridade do organismo eleitoral". Isto significa para o TSE e seu presidente que "É recomendável organizar a eleição na fase descendente da pandemia para minimizar riscos". O presidente Romero destacou ainda que a pandemia da covid-19 é o fator principal para tal decisão, mas também o consenso entre as forças políticas, bem como as condições de organização do pleito em meio a tal cenário sanitário e político. Acrescentou que em nenhum momento se perdeu de vista "há que se respeitar o mandato constitucional que fixou os parâmetros desta excepcional transição política e constitucional que vive Bolívia, a qual sublinha que as novas autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo devem assumir seus cargos em 2020. Se trata, além disso, de uma exigência democrática básica: os Estados necessitam contar com autoridades legítimas, com um mandato cidadão que só emerge das urnas". Também nesta quinta, o porta-voz de ANOTNIO GUTERRES, secretário-geral das Nações Unidas (ONU), JEAN ARNAULT, declarou que o secretário e a instituição tem "plena confiança" no trabalho desenvolvido pelo TSE, o qual foi acompanhado de perto pela ONU.


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Antonio Guterres, Bolívia, Nova data para as eleições gerais da Bolívia, ONU, Organização das Nações Unidas, Presidente do TSE, Presidente Salvador Romero, Secretário-geral da ONU, Tribunal Supremo Eleitoral, TSE


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SENADORA AÑEZ ASSUME PRESIDÊNCIA


Às 18hs50ms no horário local desta terça-feira, 12 de novembro de 2019, a senadora JEANINE AÑEZ (52) (Unión Democratas) tomou posse efetivamente como presidente da República interina por ser a primeira vice-presidente do Senado da República, dois 2 dias após a renúncia do presidência de Juan EVO MORALES Ayma (60) (MAS), que obteve guarida no México ainda que o status no qual se encontra não está definido. A escolha recaiu sobre Añez uma vez que os sucessores imediatos pela linha constitucional renunciaram acompanhando Morales. De ponto de vista constitucional, ela precisou assumir a presidência do Senado para poder se tornar presidente interina e, assim, evitar qualquer embaraço jurídico constitucional. A senadora invocou o artigo 169 da Constituição para justificar o ato. De acordo com os dados biográficos transmitidos ao pública, a presidente é natural de BENI, tendo nascido a 13 de agosto de 1967. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Direito e profissionalmente autou como diretora do grupo de comunicação Totalvision. Foi parlamentar constituinte entre os anos de 2006 e 2008 quando se elaborou a atual constituição boliviana já sob o governo de Evo Morales. Elegeu-se senadora em 2010 pela aliança de partidos Plano Progresso para Bolivia-Convergencia Nacional PPB-CN. A nova presidente declarou no ato de posse que se compromete "a assumir todas as medidas necessárias para pacificar o país". Jeanine Añez assinalou ainda que deseja convocar novas eleições o mais rápido possível.


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Beni, Bolívia, Câmara de Senadores, Constituinte, Departamento de Beni, Ex-presidente, Evo Morales, Presidente Evo Morales, Presidente Jeanine Añez, Renúncia, Senadora Añez



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RENÚNCIA DE EVO: NECESSIDADE IMPERIOSA


Neste domingo, 10 de novembro de 2019, o presidente da República Juan EVO MORALES Ayma (60) (MAS) renunciou ao cargo em comunicado à televisão no qual se diz vítima de um "golpe" e acrescentou que fazia este gesto para impedir que seus apoiadores deixassem de ser perseguidos e agredidos por seus adversários. A decisão de Evo se deu após a escalada da tensão proveniente do resultado da eleição de 20 de outubro passado que lhe conferiria a vitória em primeiro turno, mas que as oposições não aceitaram e acusaram a situação de inúmeras fraudes no processo eleitoral. Exigiam recontagem dos votos e/ou auditoria da votação, o que viria a ser feito pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e concluiu recomendando a anulação do pleito realizado. Evo relutou em aceitar a atuação do órgão e procurou acusar as oposições de tentativa de golpe, parecendo se esquecer de que o que ele enfrentava era de sua responsabilidade em boa medida. Desde então as principais cidades e rotas do país foram palco de enormes e violentas manifestações populares. Mais recentemente até as forças policiais encarregadas de conter os distúrbios desobedeceram aos seus comandos e se juntaram aos que passaram a cobrar a renúncia do presidente. O vice-presidente da República ALVARO GARCIA LINERA (57) também renunciou alegando que o fazia em lealdade a Evo. De acordo com a Constituição da Bolívia, em seu artigo 169 a linha sucessória segue pela presidência da Câmara de Senadores e depois pela da Câmara dos Deputados. Contudo, os dois dirigentes também renunciaram devido a sua identificação com o governo e, assim, caberia aos seus vice-presidentes assumirem, embora até o momento da redação da presente nota ainda não se sabia se aceitariam. ADRIANA SALVATIERRA agora ex-presidente do Senado afirma que espera que o plenário das duas casas, isto é, da Assembleia Plurianacional da Bolivia escolha um de seus membros transitoriamente para chefiar o pais. De acordo com o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de Sâo Paulo da FESPSP "a renúncia de Evo não necessariamente encerrará a tensão política no país e, possivelmente sua linha de ação insistirá que ele foi vítima de um golpe de estado, como se depreende nas entrelinhas de sua fala de renúncia. Ele conta com parcela ativa da sociedade em sua defesa. Além do mais, é fundamental saber se para além de uma solução provisória satisfatória de ocupação do poder seja rapidamente definido se novas eleições serão realizadas. Por último, será necessário que as oposições estejam unidas e se consiga se forjar um projeto de governo capaz avanços sociais que foram obtidos nesses anos".


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - Adriana Salvatierra, América do Sul, Bolívia, Câmara de Deputados, Câmara de Senadores, Ex-presidente, Evo Morales, Presidente Evo Morales, Renúncia


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ÓRGÃO ELEITORAL DÁ VITÓRIA A EVO


Nesta sexta-feira, 25 de outubro de 2019, a Orgão Eleitoral Plurinacional OEP concluiu a apuração dos resultados e oficializou o presidente Juan EVO MORALES Ayma (59) (MAS) como chefe de governo novamente após uma tensa semana em que as acusações de fraude por parte da oposição foram muito contundentes, além da realização de várias manifestações públicas no país e, ainda, a manifestação da Organização dos Estados Americanos OEA. Dentre os demais sete (7) candidatos que postularam a presidência, o candidato do PDC surpreendeu a todos e obteve a terceira colocação alcançando a cifra de 522.582 o que equivale a 8,8% dos votos válidos. Porém, isso foi mais surpreendente porque o candidato é CHI HYUNG CHUNG, um boliviano naturalizado que nasceu na Coreia e ainda por cima pastor. Seguramente, boa parte de seu eleitorado fez falta para a candidatura do principal candidato da oposição, o ex-presidente CARLOS Diego MESA Gisbert (66) (CC) uma vez que sua postulação também é a de um candidato oposicionista. Em relação as eleições para o Poder Legislativo, as quais se dividem entre deputados uninominais e deputados especiais, e senadores, ainda restam dúvidas, mas já se vizualiza que em princípio o presidente Evo Morales enfrentará maior dificuldade para governar. A Assembleia Legislativa Plurinacional, Câmara baixa, conta com 130 cadeiras e o Senado do Estado Plurinacional, Câmara alta, com 36 parlamentares.

Os votos brancos e nulos foram modestos, embora os últimos superiores como tende a ser em todas as votações internacionais. Se os votos nulos fossem um candidato obteriam a quinta5a colocação Acompanhe os resultados oficiais e definitivos do pleito presidencial trazendo votos absolutos, percentuais sobre nominais (válidos), sobre comparecimento e sobre o eleitorado:


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Assembleia Legislativa Plurinaiconal, Bolívia, Candidatos a presidência, Coreano naturalizado boliviano, Ex-presidente Carlos Mesa, Orgão Eleitoral Plurinacional, Presidente Evo Morales, Outros candidatos a presidência da Bolívia, Poder Legislativo , Resultado final oficial, Senado do Estado Plurinacional



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Morales ganhou ou não ganhou?


É possível que o presidente Juan EVO MORALES Ayma (59) (MAS) tenha efetivamente ganho em primeiro turno a eleição presidencial realizada no último domingo, 20 de outubro de 2019, nas urnas sem que tenha havido fraude no processo. Pela legislação eleitoral boliviana o segundo turno ocorre se o candidato mais votado não tiver obtido 50% mais um dos votos válidos, mas consegue evitá-lo caso a diferença para o segundo colocado tenha sido de ao menos 10 pontos percentuais, o que estaria muito próximo de ter ocorrido de acordo com os dados emitidos pelo Órgão Eleitoral Plurianacional até o momento em que este texto era produzido no final da manhã de 24 de outubro de 2019. Os boletins eram divulgados eletronicamente em intervalos de menos de cinco 5 minutos, com pequenas alterações nos votos absolutos e sem que houvesse mudança nos percentuais. Em todos os boletins a diferença do presidente Evo Morales oscilava em relação a de CARLOS Diego MESA Gisbert (66) (CC) em torno de 10 pontos, porém ora superando ora não o atingindo quando duas 2 casas decimais depois da vírgula são utilizadas. Em termos percentuais usando números inteiros, o desempenho de Evo Morales está 46% dos votos nominais (válidos) e o de Mesa em 36%. Ao se acrescentarem as casas decimais depois da vírgula Morales fica com 46,51% e Mesa com 36,92%. Assim, a diferença fica em 9,59 pontos percentuais alcançando 10 em caso de arredondamento para o inteiro. No entanto, é compreensível que os eleitores de Mesa e dos demais candidatos fiquem indignados, pois Evo está se perpetuando no poder e não aceitou o veredito do referendo de 2016 no qual a maioria do eleitorado se manifestou contra o direito a reeleição. Assim, é muito provável que a tensão política e social no país, especialmente nas áreas nas quais Mesa se saiu melhor, tenda a se manter elevada como já se observa nas últimas horas com diversas manifestações públicas de rua nas quais ocorrem muitos choques com as forças policiais. O candidato Mesa não reconhece a vitória do atual presidente e o caso já foi parar na Organização dos Estados Americanos (OEA), que aconselhou a realização do segundo turno tendo por base que a divulgação dos resultados nas primeiras horas havia sido interrompida, bem como as denúncias de fraude ocorrem em elevado volume, várias das quais teriam sido comprovadas. Evo e outras autoridades governametais questionam a própria postura da OEA e afirmam que as manifestações são muito localizadas, verificando-se apenas em parte da cidade de Santa Cruz de la Sierra. Em comentário para esta página de P&D o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), declara: "tal regra, que também existe na Argentina, é compreensível de ser adotada em países com estabilidade política pois reduz os custos de realização do segundo turno. Este não tem sido o caso da Bolívia no decorrer de sua história contemporânea, e, sobretudo quando a diferença se dá com uma margem muito apertada que não chegaria aos 10 pontos de diferença com a adoção das duas casas decimais depois da vírgula. Se isso não bastasse, a soma do candidato Carlos Mesa com a dos demais candidatos ultrapassa 53% dos votos válidos. Ou seja, o atual presidente nem mesmo arranhou os 50% dos votos".


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Bolívia, CC, Contestação dos resultados das eleições presidenciais bolivianas, Eleição presidencial boliviana em primeiro turno, Ex-presidente Carlos Mesa, MAS, OEA, Organização dos Estados Americanos, Presidente Evo Morales, Professor da FESPSP, Rui Tavares Maluf



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Mesa consegue ir para o segundo turno


No domingo, 20 de outubro de 2019, os eleitores bolivianos foram às urnas a fim decidir quem será o próximo presidente da República, tendo como candidato mais forte o atual presidente Juan EVO MORALES Ayma (59) (a poucos dias de completar sessenta anos), quem tenta obter o quinto 5o mandato consecutivo se o critério incluir sua eleição sob a Constituição anterior, e quarto 4o se a contagem se der somente depois de sua promulgação. Seu principal oponente é o ex-presidente CARLOS Diego MESA Gisbert (66) (2003-2005), que reúne em torno de sua candidatura um enorme rol de organizações políticas. Evo manteve o favoritismo obtendo a primeira colocação com pouco mais do que 43% dos votos, enquanto Mesa alcançou cerca de 34,5%. No entanto, a vantagem do atual mandatário não assegurou-lhe a vitória em primeiro turno, obrigando-o a enfrentar o ex-presidente daqui a 60 dias. As oposições comemoraram o resultado como se fosse uma vitória uma vez que Evo Morales se tornou quase todo poderoso na vida do país, tendo sido capaz, entre várias coisas aparentemente impossíveis, de obter o direito de disputar novo mandato quando esta opção havia sido rejeitada em referendo em 2016 no qual se perguntava ao eleitorado se entendia que o presidente deveria ter o direito de disputar mais um mandato. Conseguiu autorização da Corte Eleitoral que interpretou aquele resultado como não sendo vinculante. Evo encarnou o presidente nativista, aquele que é descendente da população existente antes da chegada dos espanhõis e com uma mensagem combinando nacionalismo e socialismo e claramente contra a elite histórica boliviana. Carlos Mesa, por sua vez, era vice-presidente da República antes de chegar à presidência a qual se deu em virtude da renúncia do então presidente GONZALO SANCHEZ DE LOZADA Sanches Bustamente, quem foi eleito presidente da Bolívia para dois 2 mandatos não consecutivos (1993-1998; 2002-2007). Sanchez de Lozada era empresário e alto executivo de empresas, tendo vivido a maior parte de sua juventude nos EUA, fato este que marcou seu acento de maneira tal que falava o espanhol com forte sotaque inglês norte-americano.


PALAVRAS-CHAVES (TAGs): - América do Sul, Bolívia, Candidato a reeleição, Eleição presidencial de 2019, Ex-presidente Carlos Mesa, Presidente Evo Morales, Primeiro Turno da Eleição Presidencial.


BOLÍVIA-BRASIL

Encontro de presidentes


AMALIA PANDO PEDE PROTEÇÃO


Na segunda-feira, dia 20 de junho de 2016, a jornalista Amalia Pando, que apresenta o programa El Cabildeo ingressou com um pedido de proteção ao seu trabalho jornalístico à Corte Internacional de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) em consequência do que considera ameaças perpetradas a sua pessoa pelo vice-presidente da República, Álvaro Garcia Linera (54) e pelo ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana. A razão para tal ameaça está na investigação da imprensa, da qual Panda faz parte, sobre o caso amoroso entre o presidente Juan EVO MORALES Ayma (56) e de Gabriela Zapata que teria gerado um filho, presumidamente morto, e o tráfico de influência por esta desenvolvido sobre contratos entre órgãos públicos e empresa chinesa. Em recentes comícios públicos, Quintana e Linera fizeram duras acusações a órgãos de imprensa como os jornais Los Tiempos, El Deber. Finalmente, Amalia Pando, em seu programa de segunda-feira, admitiu que não tem certeza de que poderá obter tal proteção, mas destacou que sua iniciativa se faz porque não há no Poder Judiciário boliviano qualquer juiz que faça cumprir a Constituição da Bolívia.


MORALES NÃO TERIA FILHO

O jornalista Carlos Valverde Bravo que deu início a investigação do caso de tráfico de influência exercido por Gabriela Zapata Montaño, ex-amante do presidente Evo Morales Ayma (56), na condição de gerente da empresa chinesa Camce e, ainda, disse que haveria um filho desta relação, agora vem a público dizer que sua hipótese é de que o filho nunca existiu e tal fantasia foi usada pela então amante para obter favores do mandatário boliviano, quem jamais teria visto a criança. Valverde mantém a sustentação da investigação sobre o tráfico de influência, mas põe em dúvida a existência da crianaça, o que parece ser reforçado com o depoimento à Justiça da suposta tia de Gabriela, Maria Pilar Guzman Maman, ocorrido em La Paz, na quarta-feira, 18 de maio de 2016, perante o fiscal departamental, Edwin Blanco. Guzman alegou ter contado esta versão a pedido da própria Gabriela, a qual solcitiara ao visitá-la em sua prisão temporária que esta contasse a imprensa que a viu grávida e depois pegou a criança no colo ao nascer. Valverde vive em Santa Cruz, cidade onde mantém um programa jornalístico na televisão.


CONFLITO BOLÍVIA-CHILE

O presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma afirmou na segunda-feira, dia 16 de maio de 2016, que o Chile deve ter desistido de formar uma base militar junto a fronteira, iniciativa esta que estaria ligada ao conflito entre ambos os países pelo uso dos recursos naturais de Silala. A afirmação do presidente boliviano se deu durante ato de posse de Rene Martinez, ex-senador da República, no cargo de secretário geral do Conselho de Defesa dos Mananciais de Silala. Evo destacou que Silala tem início na região de Potosi, e suas águas fluem para o norte do Chile por canais artificiais construídos em 1908, e, por isso, ele cobrou mais de uma vez compensação ao governo chileno e aos empresários chilenos daquela localidade que se valem deste bem natural. Vale lembrar, que se este conflito com o Chile já não é pouco, há outro bem mais importante transorrendo na Corte Internacional de Haia sobre a perda da saída boliviana para o Pacífico, ocorrida na Guerra travada com seu vizinho no final do século XIX.


O FILHO DE EVO E ZAPATA

Caso o filho não assumido do presidente Evo Morales Ayma (56) e Gabriela Zapata não tivesse relação com o tráfico de influência por ela exercido em nome de empresa chinesa junto a administração pública boliviana, é bem possível que o mesmo não tivesse assumido a proporção que acabou tendo. Mesmo levando-se em conta que o presidente tendo negado ter tido relação e ou filho com Zapata. E quando assumiu, afirmou que o mesmo havia morrido. Agora, em maio de 2016, Gabriela Zapata afirmou a jornalista Amalia Pando, em entrevista radiofônica gravada em telefonema, a que chegou a ser mantida por ele durante boa parte de seu relacionamento de dois anos e oito meses. Disse mais: que ficou grávida dele por duas vezes, mas na primeira, em 2005, vez resolveu não ter esta criança por medo de estragar sua relação. E na segunda gravidez, a qual deu a luz, o parto foi feito com uma parteira a fim de não chamar a atenção. Chegou a sair da casa de seus país. Ela declarou peremptoriamente que o Ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana sempre soube de tudo e que ela foi acusada falsamente de associação criminosa. A fala de Gabriela é bem articulada e sugere conhecimento profundo das entranhas do governo Evo Morales apontando a grande quantidade de propinas envolvendo membros de seu ministério. No entanto, o esclarecimento da verdade parece ainda um pouco longe de ser obtido, uma vez que o jornalista Carlos Valverde afirmou na segunda-feira, 16 de maio de 2016, que o filho "nunca existiu". Segundo o jornal Los Tiempos, Valverde é quem denunciou na véspera do Referendo Constitucional de fevereiro que o presidente teria um filho. Agora, afirma ter errado, mas que a questão de fundo, tráfico de influência desta relação, é um fato comprovado.


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REFERENDO 2016: EVO É DERROTADO


No domingo, dia 21 de fevereiro de 2016, os bolivianos foram às urnas para votar em referendo convocado por iniciativa do Poder Executivo, tendo como questão central a ser decidida pelos eleitores se o presidente Evo Morales Ayma (56) poderia concorrer a um quarto mandato consecutivo. Maioria de 51,29% dos votos válidos se manifestou pelo NÃO, isto é, contrariamente, a conceder o direito, enquanto minoria de 48,71% se posicionou pelo SIM. Apesar da diferença ter sido de menos de três (3) pontos percentuais, trata-se de uma relevante vitória para as forças de oposição, uma vez que até alguns meses atrás a tendência era de aprovação. O presidente Morales, que tem mandato até 2019, goza de alta taxa de popularidade, embora tenha sofrido um desgaste importante com a denúncia de que um antigo relacionamento com uma jovem que trabalha para empresa chinesa tenha favorecido a organização na obtenção de concessões do Estado em um montante de cerca de US$ 500 milhões. A realização deste ato se deu um ano e um mês após o chefe de governo ter tomado posse para seu terceiro mandato ininterrupto. A apuração final se deu no dia 24 de fevereiro e o resumo do resultado divulgado pela Corte Nacional Eleitoral (CNE) é o seguinte:

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EVO TOMA POSSE PARA MAIS UM MANDATO

Em La Paz, nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2015, o presidente Evo Morales Ayma (55), tomou posse para seu terceiro mandato (2015-2020), com a presença de vários chefes de Estado do Continente, incluindo a presidente do Brasil, Dilma Rousseff (67), que preferiu comparecer à cerimônia a ir ao Forum Mundial, em Davos, Suiça. Neste dia, Morales completou nove anos consecutivos de exercício do poder. Do ponto de vista macro-econômico, a situação do país é considerada boa uma vez que o exercício do poder tem respeitado claramente o equilíbrio orçamentário, o qual é gerido com muito cuidado por seu ministro da Economia, Luis Arce, além do tesouro se valer da grande quantidade de recursos obtidos com a nacionalização do setor energético ocorrida a partir de 2007.


CASO FAB: PRESIDENTE MORALES TENTA SE JUSTIFICAR

O presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma (54), declarou na quarta-feira, dia 17 de julho de 2013, que a inspeção forçada dos aviões da FAB ocorrida em 2011, em La Paz, foi uma "infâmia". O episódio só veio ao conhecimento do Parlamento do Brasil nos últimos dias em depoimento do ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, no Congresso Nacional, e o jornal Folha de São Paulo divulgou em sua edição de hoje (vide abaixo). O termo empregado por Morales é uma tentativa de mostrar que o episódio não contou com o conhecimento ou beneplácito dele, o que é difícil de acreditar.

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AVIÕES DA FAB FORAM RETIDOS EM LA PAZ

Naedição de quarta-feira, dia 17 de julho de 2013, primeiro caderno, o jornal Folha de São Paulo (FSP), em matéria assinada pela jornalista Eliane Cantanhedeinforma que três aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) foram retidos no ano de 2011, nos meses de outubro, novembro e dezembro, no aeroporto de La Paz para inspeção de acordo com declaração do ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, em audiência realizada no Senado Federal. Por meio do embaixador brasileiro na Bolívia, Marcel Biato, o governo brasileiro protestou à época ameaçando insituir o princípio da reciprocidade. O governo da Bolívia teria respondido que se tratava de inspeção de rotina, mas não a realizaria mais em aviões brasileiros. A matéria da FSP vem a público no momento em que o governo do Brasil participou em 12 de julho de 2013 do encontro de chefes de Estado Mercosul de protesto contra o fechamento do espaço aéreo de países europeus à aeronave do presidente da Bolívia, Evo Morales, por estar supostamente dando carona para o ex-agente de segurança dos EUA, Edward Snowden.

MORALES PODERÁ CONCORRER A TERCEIRO MANDATO

Na segunda-feira, dia 20 de maio de 2013, em La Paz, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Linera, assina e promiulga a Lei de Aplicação Normativa, aprovada no Congresso Nacional na semana passada, permitindo ao atual presidente da República, Evo Morales, a disputar novo mandato presidencial, que será um terceiro consecutivo caso seja eleito, mas o segundo pela nova Constituição.

BRASIL CONCEDE ASILO AO SENADOR ROGER PINTO

O Governo do Brasil concedeu asilo político ao senador Roger Pinto e sua decisão gerou reação imediata do governo da Bolivia. O Vice-Presidente Álvaro Garcia Linera convocou entrevista coletiva e classificou-a de "desastrada". Ele afirmou que as autoridades brasileiras desconhecem os fatos e que espera inormá-los corretamente do que se passa. No dia seguinte, foi a vez do presidente Evo Morales se pronunciar e bateu na mesma tecla que o vice Linera, mas talvez sem o mesmo charme deste. Ambos declararam que o senador é um prófugo da Justiça e de que sua situação não é a de alguém perseguido por defender idéias diferentes às do governo. De sua parte o governo brasileiro se limitou a emitir nota por intermédio do Ministério das Relações Exteriores assinalando que o ato está em conformidade com a tradição do Brasil e não se trata de um juizo de valor sobre as atitudes do governo boliviano. Com a divulgação de nota por escrito, a chancelaria procurou evitar a politização excessiva do caso. Não obstante, acontecimentos recentes de fronteira entre os dois países, e outros não tão recentes (como a ocupação de refinaria da Petrobras) sugerem que os problemas são grandes e não se tornam mais explícitos devido à simpatia política do governo do Brasil atualmente sob a responsabilidade da presidente Dilma Rousseff, mas já iniciada por seu antecessor, o agora ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.


SENADOR ROGER PINTO PEDE ASILO AO BRASIL

Em La Paz, por volta de 08hs30ms de segunda-feira, 28 de maio de 2012, o senador ROGER PINTO, filiado ao partido de oposição Convergência Nacional (PPB-CN) e representante do Departamento de PANDO, ingressa na embaixada brasileira e solicita asilo político ao embaixador Marcel Biato. Justifica sua ação por entender que sofre perseguição política devido às seguidas denúncias de narcotráfico e corrupção dirigidas contra o governo do presidente EVO MORALES, as quais geram processos judiciais contra sua pessoa, criminalizam sua atividade política, e tornam sua vida praticamente insuportável. O senador portava carta dirigida à presidente do Brasil, DILMA ROUSSEFF no qual explicava seu ato em detalhes. Até o final do dia, o governo do Brasil, por intermédio do ministro das Relações Exteriores, ANTONIO PATRIOTA, reconheceu que o político boliviano se encontrava nas dependências da embaixada brasileira, mas não havia até o momento qualquer decisão sobre o acatamento ou não do pedido, destacando que todas as decisões do governo brasileiro nessa matéria são precedidas de estudo circunstanciado.


TAGs: La Paz; presidente da Bolívia; Evo Morales Ayma; Embaixador do Brasil; Marcel Biato, vice-presidente da Bolívia; Álvaro Garcia Linera; Ministro das Relações Exteriores do Brasil; Antonio Patriota; presidente do Brasil; Dilma Rousseff; Senador da República; Roger Pinto; Asilo Diplomático





INDICADORES


Os indicadores aqui apresentados de vários temas são todos oficiais extraídos de fontes tais como o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), como do escritório nacional da Organização Mundial de Saúde (OMS), entre outros.